Google Glass é computador em forma de óculos

Conviver em dois mundos, o real e o virtual, ao mesmo tempo e sem a necessidade de nada além de um comando de voz ou um toque em um dispositivo sem desviar a atenção do que está ao seu redor. É essa a sensação que o Google Glass, os óculos de realidade aumentada da empresa americana, proporciona. O Terra teve acesso ao equipamento, pode testar algumas de suas funcionalidades e adiantar outras que ainda serão lançadas.
Um dos únicos Google Glass no Brasil - as primeiras unidades começaram a ser entregues somente para desenvolvedores em abril -, o chefe de desenvolvimento de produto da Movile, Breno Masi, disponibilizou o aparelho, adquirido por cerca de US$ 1,5 mil (aproximadamente, R$ 3.100). O Google impõe uma série de restrições sobre informações e imagens do equipamento, que ainda não pode ser comprado pelo usuário final.
A primeira impressão, antes mesmo de colocar o Glass é de um equipamento leve e confortável - chega até parecer frágil. O desenho é quadrado, lembra mais as armações daqueles antigos óculos de sol espelhados do que as usadas atualmente. Passar desapercebido ao utilizá-lo ainda não é uma sensação que o Glass irá proporcionar.
Os óculos entram em funcionamento com um movimento vertical, como um sinal de positivo, da cabeça do usuário ou um toque no lado direito da haste do objeto - onde está também a bateria dele. As funções mais básicas como tirar uma foto, gravar um vídeo, obter direções de um mapa ou enviar uma mensagem são apresentadas por meio de um menu incial e podem ser feitas por meio de comando de voz.
As imagens que ele gera são reproduzidas por uma tela de 23 polegadas localizada na parte superior direita da armação. Mesmo prestação atenção no que está sendo gerado pelo Google Glass (no "mundo virtual"), não se perde a noção do que está acontecendo ao redor (no "mundo real"). É possível visualizar a tela com as lentes acopladas (o kit oferecido nesta versão de teste possui lentes transparentes e escuras) ou só com a armação e o prisma reprodutor.
Para listar os aplicativos é preciso fazer um movimento de deslize horizontal na haste direita da armação. Como navegar em um tablet, o usuário passa pelos menus. Com um toque, seleciona o aplicativo desejado; com um deslize na vertical, de cima para baixo, fecha o programa.
Para quem está interagindo com o usuário do dispositivo, é possível detectar que o equipamento está funcionando quando uma luz aparece no meio do prisma, localizado no canto alto direito da armação.
É possível também acompanhar a tela do Glass por meio de um smartphone sincronizado com ele - tudo quem está usando os óculos está vendo é mostrado ao mesmo tempo na tela do outro dispositivo.
O sistema de reconhecimento de áudio - os comandos são todos termos em inglês - entende perfeitamente as palavras com nosso sotaque português. "O único problema é quando procuro algum termo em português, um nome próprio, um endereço no Brasil. Ao invés de 'Adriano', preciso pronunciar 'Adrian', por exemplo", disse Masi.
O sistema de áudio capta sons com clareza, mesmo em ambientes com barulho, e os reproduz também com qualidade. O Google Glass não possui entrada para fones de ouvido: a reprodução é feita por meio de um botão atrás da orelha direita.
Por um recurso de vibração, o usuário é alertado da chegada de mensagens no celular, e-mail ou de redes sociais. Conectado às redes, vídeos e fotos tiradas são compartilhadas com um toque.
A bateria do Google Glass dura cerca de 2h, em uso contínuo do aparelho. Masi lembrou que se trata de um produto de teste e que a versão final deve apresentar melhorias.

Aplicações na prática


Masi, que já desenvolveu e está validando um aplicativo para pesquisa de preços de itens de supermercado a partir de uma foto do código de barras, está com o equipamento há cerca de duas semanas e diz que o Google Glass vai trazer um novo paradigma de realidade para os usuários. 
"Ele funciona perfeitamente. Vídeos e imagens são gravados em qualidade excelente, o sistema (Android) funciona bem e ele vai possibilitar uma série de aplicações", disse o executivo. 
Ele citou como exemplo a incorporação do Glass à força policial, que para reconhecimento de suspeitos, enviaria uma foto de uma pessoa tirada no momento da abordagem para um banco de dados, que em questão de segundos faria o reconhecimento facial e enviaria a ficha para a tela do óculos. Qualquer semelhança com o Robocop, policial futurista apresentado no clássico filme dos anos 1980, não é mera coincidência.
"Imagine para consertar um carro, você coloca os óculos e as informações sobre as peças são apresentadas na tela, o que precisa ser arrumado", exemplificou.
Hoje, é possível consultar aplicativos de notícias, previsão do tempo, resultados esportivos, além de obter direções e informações sobre o trânsito na rota por meio da tela do Glass. Masi disse que faz uso do óculos para saber os melhores caminhos enquanto dirige. 
"O maior diferencial do Google Glass é permitir que você faça coisas como tirar uma foto, gravar um vídeo, enviar uma mensagem, sem precisar colocar a mão no bolso, desviar a atenção para seu smartphone e com passos mais simples", afirmou.
De acordo com o Google, o Glass deve começar a ser vendido para o usuário final no começo do ano que vem.


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